Com espetáculos, um programa expositivo e de conferências, a edição deste ano inclui destaques como Hito Steyerl, Forensis & Bill Kouligas, McKenzie Wark e José Gil.
Os exponenciais avanços tecnológicos das últimas décadas conduziram a um desenvolvimento ímpar. Mas também resultaram numa maior fragmentação política e social, ligando-se ao florescimento de extremismos, desigualdade económica e a uma massiva vigilância algorítmica. Estes fenómenos redefiniram as relações de poder e o próprio conceito de soberania, agora refém das omnipresentes gigantes tecnológicas.
É a partir deste diagnóstico dos nossos dias que a bienal INDEX, uma iniciativa
Braga Media Arts, regressa à cidade de 7 a 17 de maio de 2026, para uma reflexão alargada em torno do “Poder”, nas suas múltiplas relações com a Arte e a Tecnologia. O programa inclui espetáculos, conferências, uma exposição em vários espaços da cidade, bem como ações de cariz educativo.
A abertura da bienal é com Forensis & Bill Kouligas, que apresentam, em estreia nacional, “The Drum and the Bird”, um exercício multisensorial que desdobra a investigação levada a cabo pelo coletivo Forensic Architecture a propósito do colonialismo germânico na Namíbia.
Os noruegueses Supersilent apresentam uma nova colaboração com o artista e investigador sonoro Lawrence Abu Hamdan, vencedor do Turner Prize em 2019, que regressa a Braga, onde já se apresentou na edição de 2024 da Bienal. A performance resulta de uma encomenda conjunta do festival Rewire e do INDEX, que incide sobre a investigação da Earshot — um grupo de investigação sonora criada por Hamdan — aos ataques a jornalistas pelas forças israelitas na Palestina.
Em TALOS, o coreógrafo Arkadi Zaides questiona a relação entre movimento, tecnologias de ponta e o futuro das fronteiras geográficas existentes, assente em dinâmicas de ação-reação, limites e transgressão, paralisia e mobilidade. Estes três espetáculos fazem parte da programação que será apresentada no Theatro Circo no contexto da bienal.
O INDEX desafiou o coletivo ZABRA para um novo trabalho, que sairá de uma residência no gnration, onde também será apresentado. No mesmo espaço cultural, há ainda um concerto do duo Nídia & Valentina, mescla feliz entre a energia característica da produtora portuguesa Nídia e o universo inventivo da percussionista Valentina Magaletti, seguido da pioneira nas pistas de dança nacionais Supa.
Como tem sido habitual nas edições anteriores do INDEX, será apresentada uma exposição, que se reparte por diversos espaços da cidade de Braga, como o gnration, o Theatro Circo e o Mosteiro de Tibães. A estes juntam-se, em 2026, o Forum Arte Braga e o Muzeu, com inauguração prevista para abril.
Este programa tem curadoria de Joel Valabrega - curadora do Pavilhão do Luxemburgo na 60.ª Bienal Internacional de Veneza, em 2024, curadora de Performance e Imagem em Movimento no Mudam entre 2020 e 2024 – e reúne obras de um grupo de nomes incontornáveis do panorama artístico contemporâneo. Destacam-se a alemã Hito Steyerl, figura maior da crítica tecnológica através das práticas artísticas; Raven Chacon, vencedor de um Pulitzer, que apresentará “Storm Pattern”, um trabalho sobre a vigilância por tecnologia de drones em populações nativas norte-americanas; Gabriel Abrantes, com a peça “Bardo Loops”; e ainda os artistas Pauline Boudry e Renate Lorenz, Cemile Sahin ou Shuang Li.
A partir do tema “Poder”, enunciado central desta edição de 2026, o programa de conferências contará com a presença de figuras de relevo no pensamento contemporâneo sobre arte, tecnologia e política, como a australiana McKenzie Wark, o francês Yves Citton e os portugueses José Gil, Sofia Miguens e António Guerreiro.
No âmbito do Circuito, Serviço Educativo Braga Media Arts, está incluída, nesta edição, uma programação de mediação destinada ao público infantil e escolas. Entre 7 a 17 de maio, os mais novos poderão participar em duas oficinas de pensamento com filocriatividade (filosofia para crianças) mediadas por Joana Rita Sousa e nas visitas orientadas ao programa expositivo do INDEX pelos espaços da cidade.
O INDEX é uma iniciativa da Braga Media Arts que visa explorar as relações entre arte e tecnologia, promovendo o diálogo em torno das questões emergentes nestas áreas. Esta 3ª edição da Bienal materializa um dos eixos centrais do compromisso de Braga enquanto Cidade Criativa da UNESCO para as Media Arts: o de afirmar a cidade como espaço de pensamento crítico e criação contemporânea à escala nacional e internacional. É promovido pela Faz Cultura EM e conta com o apoio do Município de Braga.
Os bilhetes para os espetáculos do INDEX já estão disponíveis para compra nos balcões gnration e Theatro Circo e na
BOL (
aqui).
O acesso às conferências é gratuito.