O verão ainda agora começou, mas o gnration já tem planos para os últimos meses do ano. De setembro a dezembro, a sala bracarense apresenta um programa diverso e recheado com concertos, exposições, espetáculos de dança, novas criações, conversas e ciclos de pensamento. Na música, há concertos de Félicia Atkinson, Park Jiha, Angel Bat Dawid, Ex-Easter Island Head, Kalia Vandever, Midori Hirano, as estreias em palco dos próximos discos de Ana Lua Caiano e Travo, o novo espetáculo de Joana Sá e o encontro inédito entre MAQUINA. e Scurú Fitchádu. Na dança, Fábio Krayze e DJ Poco apresentam Batida, no âmbito do ciclo Zona Franca, e Maria Inés Villasmil dá a conhecer uma peça criada para o programa Guelra da Arte Total. Já o programa expositivo continua a promover o cruzamento entre arte e tecnologia com duas novas exposições: Mankurts, por Olga Kisseleva, e Matéria Escura Digital, por Rosemary Lee. Destaque ainda para o OCUPA, ciclo que promove novos criadores nos domínios da Música Eletrónica e da Arte Digital no distrito de Braga. De regresso está também o Divine Time, programa de pensamento sobre arte e tecnologia que apresenta mais três conversas. Em setembro, o gnration é um dos palcos do PARAÍSO, ciclo dedicado à celebração das expressões artísticas afrodescendentes e lusófonas, acolhendo conversas, um workshop de dança e um almoço. Ociclo de programação online órbita estreia um showcase do Ensemble of Other Living Being e o décimo volume do Jogo Cruzado, com Inês Nunes, Tarta Relena, Saba Alizadeh e Anouk Moyaux.
Programa de Música
O programa regular de música arranca a 18 de setembro com a apresentação do novo disco de Kalia Vandever. Trombonista e nome de proa na cena jazz-ambient, lançou no final de junho seu quarto álbum, Mana.
Uma semana depois, a 26 de setembro, o bailarino Fábio Krayze e o produtor DJ Poco juntam-se na Zona Franca para apresentar Batida. Cruzando dança e música, este novo espetáculo cria pontes entre Angola e Portugal, e é coproduzido pelo gnration e pelo Centro Cultural Vila Flor.
Ao longo dos últimos anos, o ciclo Radiografia tem dado palco aos jovens compositores de Braga, que trabalham o vasto domínio da música contemporânea. A 2 de outubro, há um novo capítulo deste ciclo com a pianista e compositora Ana Teresa Pereira a apresentar composições inspiradas no universo visual de Paula Rego, criadas especialmente para este ciclo.
Uma semana depois, há concerto da japonesa Midori Hirano. Sobrepondo música clássica com experimentação eletrónica e interligando piano e sintetizadores, a compositora vem apresentar OTONOMA, disco lançado pela Thrill Jockey no início de 2026.
Combinando também piano e eletrónica, Joana Sá apresenta Corpo : Território — Variações sobre Inquietação, a 17 de outubro. Criado a partir de uma coprodução gnration, Culturgest, Walk & Talk, Fundação de Serralves e Avista Vulcão, esta peça conjuga gravações de campo recolhidas nos Açores e na Serra da Estrela, incluindo registos dos incêndios de 2025.
A 30 de outubro, os bracarenses Travo regressam a casa para o concerto de apresentação do seu próximo álbum. WASTELAND recupera os temas do poema homónimo de T.S. Elliot e tem estreia marcada para o gnration.
Diretamente da vanguarda de Liverpool, os Ex-Easter Island Head são um dos projetos mais ousados da música britânica. Fazem música hipnótica através de guitarras elétricas modificadas com varas e mecanismos, e tocadas através de técnicas estendidas com baquetas, bamboo e até vibrações de telemóvel. Chegam ao gnration a 1 de novembro.
Com um novo disco no horizonte, Ana Lua Caiano regressa a Braga a 6 de novembro. Reconhecida como uma das grandes revelações da música nacional desta década, a cantautora portuguesa estreia em palco Devagar que a vida é curta, dando início à digressão de apresentação do disco.
Na semana seguinte, a 14 de novembro, é a vez da norte-americana Angel Bat Dawid subir ao palco do gnration. Compositora, clarinetista, pianista, maestra e DJ, é uma figura de proa do jazz e da música afroamericana enraizada na fervilhante cena de Chicago. Canalizando a energia cósmica de Sun Ra, Bat Dawid conta com três discos editados, centrados na integração da composição clássica com o gospel e o jazz, sempre com uma lente afrofuturista.
Park Jiha também tem passagem garantida por Braga, a 21 de novembro, para apresentar o quarto disco All Living Things. Balançando herança e improvisação, a compositora sul-coreana dá nova vida a instrumentos ancestrais como o Piri, o Saenghwang e o Yanggeum.
Uma semana depois, a 28 de novembro, a francesa Félicia Atkinson atua em Braga. A sua música dá vida a vozes de paisagens, imagens, livros e memórias, através da colagem de gravações de campo, instrumentação MIDI e excertos de poesia. Este concerto tem o apoio do Mais França, um programa promovido pelo Instituto Français du Portugal e inserido no Novembre Numérique. No mesmo dia, Félicia Atkinson terá também uma masterclass, promovida pelo Circuito – Serviço Educativo Braga Media Arts em que relaciona música e poesia.
O programa regular de música fecha a 12 de dezembro com o encontro de MAQUINA. e Scúru Fitchádu. A partir de uma residência no gnration, dois alicerces da música alternativa nacional dos últimos anos juntam-se para um concerto que promete ser, no mínimo, intrigante.
Programa Expositivo
De setembro a dezembro, o programa expositivo do gnration continua a promover o cruzamento entre arte e tecnologia, com três exposições inéditas.
Entre 9 de outubro a 2 de janeiro, estão patentes MANKURTS, de Olga Kisseleva, e Matéria Escura Digital, de Rosemary Lee. A primeira parte de uma lenda criada pelo escritor quirguiz Chingiz Aitmatov e relaciona-a com os sistemas superintensivos de plantação de árvores. Já Rosemary Lee explora o conceito da matéria escura digital, hipótese que expõe como é que dados inertes nos sistemas digitais, como páginas web com links partidos, vídeos pouco populares no YouTube e as diversas imagens que compõem os conjuntos de dados de aprendizagem automática, podem influenciar a cultura digital mundial.
De 4 a 19 de setembro, o gnration dá conhecer a exposição resultante dos Laboratórios de Verão, programa de apoio à criação artística local promovido pelo gnration, CAAA Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (Guimarães) e SOLAR – Galeria de Arte Cinemática (Vila do Conde). Serão apresentadas três novas obras: O que corre por baixo, de Bruno Mesquita, Quantos lados tem o monte?, de Marisa Fernandes, e Prova de luz, de Sandra Teixeira.
Também parte do programa de apoio Laboratórios de Verão, estreia a 4 setembro o espetáculo audiovisual ENTRE-LINHAS, da contrabaixista Maria Amaro e da artista visual Calgon, durante a Noite Branca. Ainda durante este fim-de-semana, o gnration apresenta concertos gratuitos do Grupo Coral do Auto-tune (5 de setembro) e dos bracarenses OCENPSIEA (6 de setembro).
OCUPA, PARAÍSO, Semibreve e programa online
A 4 e 5 de dezembro, o OCUPA regressa para promover novos criadores que trabalham os domínios da música eletrónica e da arte digital no distrito. A décima primeira edição terá concertos de BVHZ, I’A’V’, João MS e José Gonçalves Rios com Israel Machado. Haverá ainda estreia de um espetáculo audiovisual, criado a partir do encontro entre a ODE – Orquestra de Dispositivos Eletrónicos, orientada pelo compositor Pedro Lima, e o Clube de Vídeo, orientado pelo artista Bruno Rodrigues Martins. Haverá ainda uma exposição do Clube de Vídeo, um Posto de Escuta com obras sonoras de estudantes do Mestrado de Media Arts da Universidade do Minho e uma conversa sobre o lugar dos festivais no ecossistema artístico de uma cidade.
Antes, entre 11 e 12 de setembro, o PARAÍSO tem mais uma edição dedicada à celebração das expressões artísticas afrodescendentes e lusófonas, sob o mote Passado e Futuro na Afrodescendência. No gnration, este ciclo conta com um programa totalmente gratuito. Sexta, 11 de setembro, o gnration recebe a exibição do filme Si Destinu (2015), de Vanessa Fernandes, seguido de uma conversa entre a realizadora e a curadora Kitty Furtado. Sábado, 12 de setembro, o programa estende-se por todo o dia. De manhã, Dori Nigro, Melissa Rodrigues e Raquel Lima apresentam o processo por detrás do Manual Antirracista para as Artes e Educação. Segue-se um almoço com a chef Ana Teresa Correia. De tarde há mais uma conversa sobre arte, participação e práticas de contestação da colonialidade, que junta António Zaqueu, Luege d’ Olim e Sarina Azevedo, e conta com moderação de Luiza Lins. Antes de passar para o Theatro Circo, onde atuará a Cesária Évora Orchestra, haverá ainda um workshop de dança com Eddie Folige e DJ set do DJ Chipula.
De 22 a 24 de outubro, o gnration volta a ser um dos palcos do festival Semibreve, acolhendo o programa noturno, e uma exposição com trabalhos de estudantes de várias universidades nacionais. Este ano, pela primeira vez, o festival disponibiliza um bilhete que contempla apenas o programa para o gnration.
No programa online, o ciclo de conversas vídeo Divine Time continua com Wendi Yan (16 de setembro), Miriam Hillawi Abraham (14 outubro) e Dian Joy (18 novembro).
Já o ciclo de programação online órbita estreia um showcase gravado do Ensemble of Other Living Being e o décimo volume do Jogo Cruzado, que promove dois novos trabalhos – a cineasta portuguesa Inês Nunes faz o filme para um tema do compositor iraniano Saba Alizadeh, e a dupla espanhola Tarta Relena faz a música para um filme da realizadora francesa Anouk Moyaux. Este programa é feito em parceria com o Canal180 e a Culturgest.